A PROVA CAIU DE MODA?!

Vamos abordar este assunto, enfocando a centralidade da questão, que é a avaliação. A maior dificuldade do professor está no processo de avaliação, como ele dá significado à verificação daquilo que ele ensina e a consequente aprendizagem do aluno. Hoje, a avaliação precisa ser efetivada com o objetivo, não apenas de classificar, mas, principalmente de intervir para que as defasagens contatadas sejam sanadas, através de intervenções pedagógicas eficazes. O processo de avaliação exige a aplicação de instrumentos variados de verificação da aprendizagem, que sejam de aplicação contínua e cumulativa, oportunizando ao aluno ler, refletir, relacionar, analisar, operar mentalmente e demonstrar a absorção do que aprendeu para utilizar na solução de problemas do seu cotidiano.

Assim, a prova permanece como instrumento importante de avaliação da aprendizagem, apenas sua elaboração e aplicabilidade exigem um novo olhar e uma nova postura do professor ao utilizá-la.
Destacaremos alguns aspectos relevantes citados por Vasco Moretto em seu livro “Prova”(2008):
– A prova é um momento privilegiado de estudo, não um acerto de contas;
– A prova não pode servir de instrumento de pressão para manter a disciplina em sala de aula ou fazer o aluno estudar;
-As questões devem ser bem elaboradas, contextualizadas de acordo com os objetivos propostos;
– O professor deve utilizar linguagem clara, objetiva, com conteúdos relevantes no comando das questões;
– Exercícios com “pegadinhas” para confundir o aluno são inaceitáveis;
– Os critérios de correção devem ser estabelecidos com precisão e expostos aos alunos antes da aplicação das provas;
– As questões não podem exigir apenas memorização, mas considerar outras operações mentais como a análise, a experimentação, a resolução de problemas, a aplicação do conteúdo em situações novas, o julgamento, a síntese…
– As questões precisam ser “operatórias” e não apenas “trancritórias”, que exigem, simplesmente uma transcrição de informações.
O professor também precisa ter clareza do conceito de “prova” que os alunos possuem enraizado a partir de uma tradição desenvolvida ao longo do tempo, sintetizadas por Paulo Ronca ( 1991):
“Só se estuda se tiver prova. Só se estuda para a prova. Só se estuda se cair na prova. Só se estuda o que cair na prova”.
Então, destacamos que o essencial não é eliminar a prova, mas dar um novo enfoque e um novo sentido à sua utilização.

Nesta breve abordagem, procuramos enfatizar que a avaliação eficiente e eficaz pode valer-se da prova como um instrumento importante de construção do conhecimento, mas depende do professor conduzir o aluno para que ele considere o momento da prova um ensejo na busca do seu sucesso.

* Pedagoga e Especialista em Legislação Educacional

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