CONEXÕES PARA QUE A APRENDIZAGEM POSSA ACONTECER por *Iná Sanzi Souza

O direito à educação escolar é universal e deve estar garantido para todo o cidadão. No Brasil, a garantia deste direito está na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 (LDBN) em dois princípios do Artigo 3º qual seja: a igualdade de acesso e permanência na escola; gratuidade do ensino público. A LDBN/1996 também estabelece a participação do docente na elaboração da proposta pedagógica da escola; o cumprimento do seu plano de ensino e a sua participação e colaboração para a integração da escola com a família e a comunidade escolar.

A sociedade contemporânea, cada vez mais, desafia a escola “O desafio posto da contemporaneidade à educação é o de garantir, contextualizadamente, o direito humano universal e social inalienável à educação.” (Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica, MEC. 2013) A educação necessita preparar e dar condições para que o sujeito tenha capacidade de responder o que a vida moderna lhe propõe e impõe.

Para Libâneo (2011) “Com efeito, a escola é instância integrante do todo social, sendo afetada pela estrutura econômica e social, pelas decisões políticas e pelas relações de poder em vigor na sociedade.” (p. 297) Assim sendo, necessariamente, deve haver uma conexão entre sociedade, escola, professor, aluno e família, pois “Quando o conteúdo a ser aprendido não consegue ligar-se a algo já conhecido, ocorre o que Ausubel chama de aprendizagem mecânica, ou seja, quando novas informações são aprendidas sem interagir com conceitos relevantes existentes na estrutura cognitiva.” (Santos, 2011, p. 53)      Fatores apontados em pesquisas reforçam a ideia de que a escola como um todo deve se organizar e se responsabilizar pela aprendizagem do aluno levando em consideração, de acordo com Libâneo (2011) que “… é preciso estar claro que a melhora das práticas de gestão, a participação dos professores e os processos democráticos somente têm sentido se estiverem diretamente associados à melhoria das metodologias do ensino aprendizagem.” (p.304)

Libâneo (2011) também mostra pesquisas que revelam alguns fatores que propiciam a melhoria na qualidade da aprendizagem dos alunos, quais sejam: a capacidade e liderança dos dirigentes, principalmente do diretor; a gestão participativa; o ambiente dentro da escola; a criação de condições necessárias para o desenvolvimento do ensino e da aprendizagem, com um planejamento de acordo com a realidade onde a escola está inserida; a reflexão conjunta e a troca de experiência entre professores.

Os movimentos da escola, tanto externos como internos, dependem de um conjunto de ações que necessitam estar “encaixadas” para que essa instituição funcione como uma engrenagem e da melhor maneira possível.   Também é necessário que a escola esteja atenta quando da organização das suas ações, porque todo o tipo de gestão tem efeito direto no trabalho do professor e, consequentemente, na aprendizagem do aluno.

Nessa visão as responsabilidades são compartilhadas, ao mesmo tempo em que as ações e os saberes são organizados em movimentos contínuos em um agir de forma coletiva, onde as situações de organização do trabalho pedagógico são refletidas, discutidas, analisadas e reorganizadas sempre que necessário.

Na organização do trabalho pedagógico é preciso estar ciente de que cada um necessita fazer a sua parte e contribuir para o coletivo da escola, buscando  resultados positivos para o processo educativo. Para isto, muitas vezes, a escola tem que alterar as suas convicções, crenças, percepções e paradigmas e reconhecer “… que não é uma organização que se aceita como definitiva e acabada” (Alarcão, p. 69. 2001)

É importante valorizar essa construção coletiva porque isto significa estruturar e planejar as ações consideradas prioritárias e destinadas a alcançar metas e objetivos da escola e da comunidade escolar.

* Pedagoga e Supervisora Escolar

Bibliografia:

ALARCÃO, Isabel. (org.) Escola reflexiva e nova racionalidade. Porto Alegre, Artmed, 2001.

Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica, MEC. 2013.

Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional/ Lei Nº 9394/1996.

LIBÂNEO, José Carlos. Educação Escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo, Ed. Cortez, 2011.

SANTOS, Júlio César Furtado dos. Aprendizagem significativa- modalidades de aprendizagem e o papel do professor. Porto Alegre, Editora Mediação, 2011.

 

 

 

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